
Os bancários enfrentam uma amarga realidade que vai além da rotina de trabalho exigente. A pressão constante para atingir metas abusivas tem consequências severas, resultando frequentemente em transtornos mentais e Lesões por Esforços Repetitivos (LER/DORT), com um impacto significativo na saúde e no bem-estar desses profissionais. As condições de trabalho desgastantes têm colocado os bancários entre os mais afetados por doenças ocupacionais como a síndrome de burnout.
Condenação e responsabilidade legal
O Banco Santander enfrentou repercussões legais significativas devido à negligência na gestão da saúde mental de seus empregados. Em uma decisão emblemática, o banco foi condenado em primeiro grau por não adotar medidas adequadas para prevenir transtornos mentais, como a síndrome de burnout, entre seus funcionários. O caso, julgado sob o número de processo 0011451-11.2020.5.15.0153, resultou em uma condenação ao banco para pagar danos morais coletivos de R$ 1,5 milhão.
Frisou ainda: “…determina que a empresa adapte as condições de trabalho ‘às características psicofisiológicas’ dos funcionários sujeitos a tais cobranças.” E, em caso de descumprimento, pagará multa de R$ 50 mil por item, acrescida de R$ 5 mil por trabalhador prejudicado. À época da decisão, cabia recurso ao Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região.
Estatísticas alarmantes
Entre 2012 e 2016, segundo dados do INSS, 89% dos acidentes de trabalho reconhecidos envolvendo bancários foram devidos a transtornos mentais e LER/DORT. Entre 2017 e 2021, essa tendência se manteve, com 90% dos incidentes atribuídos a essas categorias, sublinhando a gravidade da situação. Estes dados destacam não apenas a extensão do problema, mas também a urgente necessidade de intervenção para melhorar as condições de trabalho e garantir a segurança e a saúde dos bancários.
Impacto no bem-estar dos trabalhadores
As mulheres, representando cerca de 70% dos casos anualmente, são particularmente afetadas, evidenciando uma necessidade de abordagens de saúde ocupacional mais sensíveis ao gênero. O crescimento de cerca de 170% no auxílio-doença acidentário para trabalhadoras contrasta com o aumento de aproximadamente 60% entre os homens, ilustrando desafios únicos enfrentados por mulheres no setor bancário.
Conclusão
Essa decisão em primeiro grau é um passo importante na luta por um ambiente de trabalho mais justo e saudável para os bancários e destaca a responsabilidade do empregador em cuidar da saúde mental e física de seus empregados. Ela envia uma mensagem clara às empresas sobre a seriedade das condições de trabalho e a necessidade de adotar práticas saudáveis e equilibradas para que o trabalhador não termine sua jornada incapacitado permanentemente.
Para mais informações sobre o caso e detalhes adicionais da decisão, acesse a notícia do Ministério Público do Trabalho.
